{"id":397,"date":"2025-12-20T08:01:00","date_gmt":"2025-12-20T11:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/liveapp.com.br\/guaira\/petroleo-china-doutrina-monroe-o-que-esta-por-tras-da-ofensiva-de-trump-na-venezuela\/"},"modified":"2025-12-20T08:01:00","modified_gmt":"2025-12-20T11:01:00","slug":"petroleo-china-doutrina-monroe-o-que-esta-por-tras-da-ofensiva-de-trump-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liveapp.com.br\/guaira\/petroleo-china-doutrina-monroe-o-que-esta-por-tras-da-ofensiva-de-trump-na-venezuela\/","title":{"rendered":"Petr\u00f3leo, China, Doutrina Monroe: o que est\u00e1 por tr\u00e1s da ofensiva de Trump na Venezuela"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/-dYpXuFbiyshitjX5dItsWTmNIQ=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/T\/T\/Qzq1KKRe642D4Ss4189A\/fotojet-2025-12-20t080246.790.jpg\" \/><br \/>     Petr\u00f3leo, China: o que est\u00e1 por tr\u00e1s da ofensiva de Trump na Venezuela<br \/>\nO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem afirmado que n\u00e3o descarta uma interven\u00e7\u00e3o militar na Venezuela, governada por Nicol\u00e1s Maduro. Nos \u00faltimos meses, Washington intensificou opera\u00e7\u00f5es contra embarca\u00e7\u00f5es no Caribe e no Pac\u00edfico, refor\u00e7ando o cerco ao pa\u00eds sul-americano.<br \/>\nPara justificar as a\u00e7\u00f5es militares e a press\u00e3o econ\u00f4mica, o governo americano alega combater o narcotr\u00e1fico e rotas de drogas associadas a grupos criminosos ligados \u00e0 Venezuela. Al\u00e9m disso, descreve Maduro como l\u00edder de um regime corrupto e diz agir por quest\u00f5es de seguran\u00e7a regional.<br \/>\n\ud83d\udcf1Baixe o app do g1 para ver not\u00edcias em tempo real e de gra\u00e7a<br \/>\nAutoridades dos EUA aplicaram medidas diretamente a familiares de Maduro, ampliaram san\u00e7\u00f5es e promoveram um bloqueio total a navios petroleiros ligados ao pa\u00eds sul-americano \u2014 escalando a press\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica sobre Caracas. Tamb\u00e9m houve apreens\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm resposta, o presidente venezuelano classificou as a\u00e7\u00f5es como tentativa de golpe e amea\u00e7a \u00e0 soberania, chamando as intercepta\u00e7\u00f5es de \u201croubo descarado\u201d e \u201cpirataria naval criminosa\u201d. Ele ainda acusa Washington de usar o combate \u00e0s drogas como pretexto para for\u00e7ar sua sa\u00edda do poder.<br \/>\nMas o que est\u00e1, de fato, por tr\u00e1s da ofensiva dos EUA? Para especialistas ouvidos pelo g1, os interesses v\u00e3o muito al\u00e9m do combate ao tr\u00e1fico e incluem fatores econ\u00f4micos e geopol\u00edticos, como o interesse pelo petr\u00f3leo e a rela\u00e7\u00e3o da Venezuela com a China \u2014 principal rival de Trump.<br \/>\nDe olho no petr\u00f3leo<br \/>\nA Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petr\u00f3leo do planeta, com capacidade de aproximadamente 303 bilh\u00f5es de barris \u2014 ou 17% do volume conhecido \u2014, segundo a Energy Information Administration (EIA), \u00f3rg\u00e3o oficial de estat\u00edsticas energ\u00e9ticas dos EUA.<br \/>\nEsse volume coloca o pa\u00eds \u00e0 frente de gigantes como Ar\u00e1bia Saudita (267 bilh\u00f5es) e Ir\u00e3 (209 bilh\u00f5es), com ampla margem. Grande parte do petr\u00f3leo venezuelano, por\u00e9m, \u00e9 extra-pesado, o que exige tecnologia sofisticada e investimentos elevados para extra\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\ud83d\udd0e Na pr\u00e1tica, o potencial \u00e9 enorme, mas segue subaproveitado devido \u00e0 infraestrutura prec\u00e1ria e \u00e0s san\u00e7\u00f5es internacionais que limitam opera\u00e7\u00f5es e acesso a capital. <\/p>\n<p>Nesse contexto, h\u00e1 um claro interesse dos EUA. Segundo a EIA, o petr\u00f3leo pesado da Venezuela &#8220;\u00e9 bem adequado \u00e0s refinarias norte-americanas, especialmente \u00e0s localizadas ao longo da Costa do Golfo&#8221;.<br \/>\nO jornal americano &#8220;The New York Times&#8221;, por exemplo, afirmou que a commodity \u00e9 prioridade na ofensiva contra o governo de Nicol\u00e1s Maduro. Segundo a publica\u00e7\u00e3o, Washington tem feito negocia\u00e7\u00f5es secretas com Caracas, justamente com foco no petr\u00f3leo.<br \/>\nPara Marcos Sorrilha, professor de hist\u00f3ria dos EUA na Unesp Franca, o presidente norte-americano tem interesse na produ\u00e7\u00e3o venezuelana por um motivo principal: reduzir pre\u00e7os internos e, assim, aliviar o custo de vida no pa\u00eds.<br \/>\n&#8220;O petr\u00f3leo venezuelano seria uma estrat\u00e9gia de barateamento do pre\u00e7o do combust\u00edvel para os americanos. \u00c9 algo que est\u00e1 nas expectativas de Donald Trump&#8221;, diz.<br \/>\nNesse contexto, o republicano atinge dois objetivos simultaneamente: ao buscar favorecer a economia dos EUA, tamb\u00e9m pressiona a produ\u00e7\u00e3o e as exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo da Venezuela \u2014 setor central para a economia do pa\u00eds e para a sustenta\u00e7\u00e3o do governo de Nicol\u00e1s Maduro.<br \/>\nOs efeitos iniciais j\u00e1 come\u00e7aram a aparecer nesta semana. Reportagem da Bloomberg News indicou que Caracas enfrenta falta de capacidade para armazenar petr\u00f3leo, em meio a medidas de Washington para impedir que embarca\u00e7\u00f5es atraquem ou deixem portos venezuelanos.<br \/>\nProximidade com a China<br \/>\nAntes das amplas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas impostas pelos EUA \u00e0 Venezuela, em 2019, os norte-americanos eram os maiores importadores do petr\u00f3leo bruto do pa\u00eds. O restante das exporta\u00e7\u00f5es tinha como principais destinos a \u00cdndia, a China e a Europa.<br \/>\nAp\u00f3s as san\u00e7\u00f5es, grande parte das vendas externas passou a ocorrer por meio de acordos de petr\u00f3leo em troca de empr\u00e9stimos, usados para quitar d\u00edvidas. Nesse arranjo, a China disparou sua participa\u00e7\u00e3o e desempenha papel central.<br \/>\n&#8220;A Venezuela mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o cooperativa com a China em \u00e1reas muito cr\u00edticas, como petr\u00f3leo e minera\u00e7\u00e3o&#8221;, destaca Carolina Moehlecke, coordenadora do mestrado profissional em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da FGV.<br \/>\nA especialista refor\u00e7a que o gigante asi\u00e1tico, principal advers\u00e1rio comercial dos EUA, tem emprestado dinheiro para a Venezuela utilizando embarques de petr\u00f3leo como garantia.<br \/>\n\ud83d\udd0e Com isso, grande parte das exporta\u00e7\u00f5es venezuelanas foi destinada \u00e0 China. Por meio dos acordos, o pa\u00eds asi\u00e1tico j\u00e1 concedeu quase US$ 50 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, em troca de petr\u00f3leo bruto.<br \/>\nSegundo o relat\u00f3rio mais recente da Energy Information Administration, a China recebeu 68% das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo bruto da Venezuela apenas em 2023.<\/p>\n<p>O economista-chefe da An\u00e1lise Econ\u00f4mica, Andr\u00e9 Galhardo, destaca que Donald Trump demonstra uma inten\u00e7\u00e3o clara de &#8220;manter os la\u00e7os muito bem atados&#8221; na Am\u00e9rica Latina, diante do avan\u00e7o da presen\u00e7a da pot\u00eancia asi\u00e1tica na regi\u00e3o.<br \/>\n&#8220;A China tem exercido uma influ\u00eancia muito grande nos pa\u00edses latino-americanos, e os EUA n\u00e3o t\u00eam interesse nessa aproxima\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica chinesa. Ent\u00e3o, existem quest\u00f5es estrat\u00e9gicas de toda ordem: geopol\u00edticas, econ\u00f4micas, geogr\u00e1ficas&#8221;, diz Galhardo, sobre a postura de Trump.<br \/>\nPara o economista, esse movimento tamb\u00e9m explica a redu\u00e7\u00e3o das tens\u00f5es de Donald Trump com o Brasil e a aproxima\u00e7\u00e3o do republicano com a Argentina, em um gesto de expans\u00e3o da influ\u00eancia norte-americana na Am\u00e9rica do Sul.<br \/>\n&#8220;De repente, Trump passou a achar Lula um homem bom, n\u00e9? Isso tamb\u00e9m acontece porque o Brasil se tornou um dos maiores produtores de petr\u00f3leo do mundo, est\u00e1 prospectando volumes na margem equatorial, al\u00e9m do Sul do pa\u00eds, e planeja investir na extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na \u00c1frica&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Embora o Brasil n\u00e3o esteja entre os 10 pa\u00edses com maiores reservas, \u00e9 o s\u00e9timo maior produtor de petr\u00f3leo, com cerca de 4,3 milh\u00f5es de barris por dia, segundo o \u00f3rg\u00e3o oficial de estat\u00edsticas energ\u00e9ticas dos EUA.<br \/>\n&#8220;O mesmo acontece na Argentina: a aproxima\u00e7\u00e3o dos EUA tem muito mais rela\u00e7\u00e3o com as reservas de petr\u00f3leo \u2014 especialmente ap\u00f3s descobertas em Vaca Muerta \u2014 do que com um alinhamento ideol\u00f3gico com Javier Milei&#8221;, acrescenta Galhardo.<br \/>\nAbertura para empresas dos EUA<br \/>\nPor tr\u00e1s da tentativa de Trump de derrubar o governo de Nicol\u00e1s Maduro tamb\u00e9m est\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o do governo dos EUA de expandir o mercado da Am\u00e9rica do Sul para companhias norte-americanas, explica Marcos Sorrilha, da Unesp.<br \/>\nO professor lembra de conversas p\u00fablicas de Mar\u00eda Corina Machado, principal l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o a Maduro, com Donald Trump Jr., nas quais ela defendia a abertura do mercado venezuelano a empresas dos EUA.<br \/>\n&#8220;Ent\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m interesse em expandir parcerias de empresas norte-americanas no mercado venezuelano, n\u00e3o apenas para a extra\u00e7\u00e3o de commodities e produtos prim\u00e1rios, mas tamb\u00e9m para a explora\u00e7\u00e3o de processos e produtos industriais dentro do pa\u00eds&#8221;, afirma.<br \/>\nEm seu segundo mandato, Donald Trump tem adotado pol\u00edticas e firmado acordos comerciais para incentivar exporta\u00e7\u00f5es americanas e ampliar o acesso a mercados internacionais, inclusive com iniciativas para aumentar as vendas de tecnologia a pa\u00edses aliados.<br \/>\nDoutrina Monroe: a estrat\u00e9gia por tr\u00e1s da agenda de Trump<br \/>\nConforme mostrou o g1, o governo de Donald Trump pretende ampliar o foco na Am\u00e9rica Latina e reduzir o peso de outros compromissos globais, transferindo parte das responsabilidades a aliados, segundo a nova estrat\u00e9gia de pol\u00edtica externa publicada pela Casa Branca no in\u00edcio deste m\u00eas.<br \/>\nO plano prev\u00ea um ajuste da presen\u00e7a militar global dos EUA \u201cpara enfrentar amea\u00e7as urgentes\u201d no Hemisf\u00e9rio, al\u00e9m de recalibrar a atua\u00e7\u00e3o em \u00e1reas cuja relev\u00e2ncia diminuiu para o pa\u00eds nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<br \/>\nNesse sentido, o documento menciona explicitamente a Doutrina Monroe, formulada h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos, e afirma que Washington deve \u201cretomar\u201d seus princ\u00edpios na rela\u00e7\u00e3o com a Am\u00e9rica Latina.<br \/>\n\ud83d\udd0e Criada em 1823, a Doutrina Monroe estabelecia que qualquer interven\u00e7\u00e3o de pot\u00eancias europeias no hemisf\u00e9rio ocidental seria considerada uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a dos EUA. Ao mesmo tempo, definia a regi\u00e3o como uma \u00e1rea de interesse estrat\u00e9gico priorit\u00e1rio para Washington.<br \/>\nCarolina Moehlecke, da FGV, ressalta que a nova estrat\u00e9gia de pol\u00edtica externa dos EUA resgata a doutrina de forma mais ofensiva, &#8220;ao estabelecer a Am\u00e9rica Latina como a regi\u00e3o priorit\u00e1ria para sua seguran\u00e7a e prosperidade&#8221;.<br \/>\n&#8220;Al\u00e9m disso, amarra essa prioridade a evitar que a China, principalmente, tenha acesso a recursos estrat\u00e9gicos na regi\u00e3o, alguns dos quais a Venezuela consegue fornecer&#8221;, diz.<br \/>\nMarcos Sorrilha, da Unesp, avalia que a estrat\u00e9gia retoma uma vis\u00e3o voltada \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da hegemonia continental, com o objetivo de afastar concorrentes da regi\u00e3o \u2014 especialmente a China \u2014 e assegurar a expans\u00e3o dos interesses econ\u00f4micos dos EUA na Am\u00e9rica Latina.<br \/>\nSegundo ele, h\u00e1 um paralelo com a pol\u00edtica adotada na virada do s\u00e9culo XIX para o XX, que buscava a expans\u00e3o das empresas americanas na regi\u00e3o por meio da Open Door Policy (Pol\u00edtica da Porta Aberta).<br \/>\nNo contexto mais amplo da pol\u00edtica externa dos EUA, &#8220;esse objetivo era sustentado, quando necess\u00e1rio, pelo uso da for\u00e7a\u201d, conclui.<br \/>\nInfogr\u00e1fico mostra cerco dos EUA contra a Venezuela<br \/>\nArte\/g1<br \/>\nGoverno Trump vai aumentar presen\u00e7a militar na Am\u00e9rica Latina em nova pol\u00edtica externa<br \/>\nTrump e Maduro<br \/>\nAP Photo\/Evan Vucci; Reuters\/Leonardo Fernandez<\/p>\n<p class=\"lchrssa-source\">Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2025\/12\/20\/petroleo-china-doutrina-monroe-o-que-esta-por-tras-da-ofensiva-de-trump-na-venezuela.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">G1 Mundo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Petr\u00f3leo, China: o que est\u00e1 por tr\u00e1s da ofensiva de Trump na Venezuela O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem afirmado que n\u00e3o descarta uma interven\u00e7\u00e3o militar na Venezuela, governada por Nicol\u00e1s Maduro. 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